domingo, 26 de junho de 2011
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Adeus
(imagem retirada da net)
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
sábado, 18 de junho de 2011
segunda-feira, 13 de junho de 2011
07/07
Quando penso se faria tudo de novo, não sei responder... Ao teu lado senti-me mais viva do que nunca, mas a dor que ainda sinto é demasiado forte, sinto-a bem dentro de mim, não me deixa respirar fundo.
Dois ou três dias de piadolas e provocações, só para quebrar o gelo, já te conhecia, afinal de contas eras meu colega, mas sem grande confiança. Acabámos por nos tornar os palhaços do grupo. Naquela noite ficámos para trás, a beber mais uma cerveja. Lembras-te? Eu lembro-me como se tivesse sido ontem... No regresso decides arriscar, agarras-me e encostas o teu corpo ao meu, fico entre ti e uma parede... Tenho os olhos fechados, os lábios entreabertos... Tens as minhas mãos nas tuas, mesmo ao teu jeito, de quem sabe o que faz e domina a situação. Estou com sede de ti e tu acabas com ela, naquele beijo sôfrego, quente, cheio de desejo... Um beijo como nenhum outro, que ainda me acelera... Continuas a segurar-me uma das mãos e com a outra começas a sentir o contorno do meu seio, sinto-me a aquecer por dentro, como nunca tinha sentido num beijo. Aquele beijo... Quando voltámos à realidade disse-te que o que se tinha passado ficaria só entre nós: "agora já temos um segredo"... E tu voltaste a beijar-me, com a mesma fome, a mesma ânsia, aquele beijo... Sempre inacabado... Mas tínhamos de voltar, os outros poderiam estranhar a nossa demora.
domingo, 12 de junho de 2011
sábado, 11 de junho de 2011
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